Amamentação: como fazer dar certo.

Por: Júlia Ritez Martins  



 Há uma quantidade enorme de material na internet sobre a amamentação e muito conteúdo de qualidade. Considerando isso, a princípio achei desnecessário escrever mais um post sobre o assunto. Mesmo sendo a semana de incentivo ao aleitamento materno, pensei: "mas o que de novo eu poderia escrever sobre isso? De que maneira eu poderia contribuir?"


 Mas percebi que as informações corretas que ajudam nesse processo de amamentação ainda não chegam à maioria das gestantes. E Infelizmente muitos mitos, palavras e gestos que desencorajam as mulheres acabam circulando muito mais e tendo um peso muito grande.


 Porque afinal, hoje em dia, praticamente todo mundo sabe dos benefícios e que o leite materno é que a melhor opção para o bebê. E a grande maioria das gestantes se preocupa e deseja muito amamentar seus filhos. Mas é aí? O que acontece que muitas mulheres acabam não amamentando?


 Não é o foco desse artigo explorar todos os eventos que contribuem negativamente para essa questão, pois é um assunto bastante amplo. Abrange questões políticas, por exemplo: apesar da indicação dos órgãos da saúde ser a de manter o aleitamento materno exclusivo até os seis meses, as leis trabalhistas garantem uma licença de apenas quatro. (Saiba mais sobre os direitos da trabalhadora que amamenta: clique aqui). Além disso, existem propagandas e toda uma abordagem dos pediatras pelos representantes de fórmulas de leite e muitas vezes elas são indicadas sem necessidade.


 Tem também questões culturais de como a mulher que amamenta é vista e tratada, etc. Esse assunto, aliais, tem sido cada vez mais discutido. E estão criando leis para garantir que a mulher possa amamentar tranquilamente em público, sem passar por constrangimentos ou ser obrigada a cobrir a cabeça de seu filho (saiba mais aqui).


 Mas hoje eu vou falar para você que é mãe e deseja muito amamentar. Vou falar um pouquinho da minha experiência e um resumo do que tenho estudado sobre o assunto como mãe, psicóloga, Doula e educadora.


 Primeiro é injusto culpabilizar a mãe que não consegue amamentar, haja vista esse cenário tão contraditório e caótico que cerca o assunto.


 É fato que existe um ideal construído sobre a imagem da mãe perfeita que precisamos desconstruir. É necessário falar das mães da realidade, das suas dificuldades e superações. Sair desse lugar comum que responsabiliza a mulher como incapaz ou com preguiça ou como sendo vaidosa e fútil demais para amamentar.


 Antes de ser mãe eu também não tinha a menor idéia de como era difícil amamentar, mas queria mais do que tudo que minha filha mamasse o quanto quisesse. E ela mama, mas muito mais do que o desejo foi necessário. E é um pouco dessa história que vou compartilhar com vocês.


 Eu busquei muita informação, estudei tudo o que encontrei sobre a pega correta (veja os vídeos abaixo que selecionei e apresentam algumas técnicas extremamente úteis).


 E aprendi que sem a pega correta o bebê não consegue sugar o leite suficiente para se nutrir e com isso não estimula adequadamente a produção de leite.


 Por isso, para garantir que você produza o leite que seu filho precisa e, evitar também as rachaduras nos seios, tire todas as suas dúvidas sobre a pega com um profissional capacitado.


 Estudos para identificar e evitar os problemas na amamentação produziram o seguinte protocolo que considero que ajuda bastante a entender e diferenciar a pega correta, observe esses pontos:




 Depois da informação, vem a dedicação e persistência. Quando estava aprendendo sobre a pega, lembro que a enfermeira me falou que se a pega estivesse correta não haveria dor, mas se os seios doessem era sinal de que algo estava errado.


 E foi nesse ponto em que aprofundei meus estudos sobre a pega. Filmei minha filha mamando enviei para a minha Doula. Mostrei pessoalmente como fazia e parecia estar tudo certo, não havia nada a ser melhorado e mesmo assim era difícil demais porque doía muito.


 Participei de grupos, fóruns, tudo que me ajudasse a melhorar e não desistir do meu objetivo. Mas não ouvi nenhum relato que se assemelhasse ao meu: minha filha estava bem, ganhando peso e quase não parava de mamar. Mamava por três horas direto, esvaziava os seios e dormia por uns vinte minutos e mamava mais três horas... E assim passou uma semana e eu já não aguentava de dor.


 Estava tudo bem, eu sabia que estava tudo bem, mas depois de algumas noites sem dormir e as pessoas em volta questionando se o meu leite não era fraco demais e etc, não tem como não bater uma insegurança.


 Lembro de uma madrugada em que tentava administrar os sentimentos todos, mais o sono e dúvidas. E só consegui relaxar um pouco após comprar pela internet inúmeras caixas de chá da mamãe, numa tentativa desesperada de lidar com a situação toda.


 Tive pessoas muito próximas de mim, das quais esperava apoio incondicional, e de quem ouvi frases do tipo: "você não vai conseguir, seu leite vai secar", etc. Também tiveram outras que me ajudaram muito, mas tudo isso vai refletindo na sua auto-estima e humor. Somam também as mudanças hormonais, corporais e o descanso escasso e vai ficando difícil manter o foco e determinação.


 Tudo o que eu queria era que passasse. E passa! E compensa! Resultado: minha filha passou de 2,600 kg para 4,200 kg no primeiro mês de vida. Eu entendi que ela não parava de mamar, porque precisava mamar! E que não havia nada de errado nisso! As dores passaram e hoje com um ano e um mês ela ainda mama o quanto quer e é prazeroso para nós duas.


 E as lições que aprendi nesse processo e procuro passar adiante são:


   1- aprenda a pega correta;

   2- tire suas dúvidas sobre amamentação e a saúde do bebê com um especialista;

   3- Persista mesmo quando te desestimularem;

   4- não ceda as cobranças e conselhos oferecendo chupeta, mamadeira, água ou outros líquidos ao seu filho, pois        atrapalha a pega;

   5- siga com seu propósito porque é difícil mesmo, mas não é impossível;

   6- tenha em mente que a mãe dos comerciais: perfeita e inatingível não existe! cobre-se menos;

   7- E acredite: vai passar e vai valer a pena!


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Fonte:



http://www.ibfan.org.br/documentos/outras/doc-365.pdf


http://www.jusbrasil.com.br/topicos/10721005/artigo-396-do-decreto-lei-n-5452-de-01-de-maio-de-1943


http://www.amamentareh.com.br/consultora-em-aleitamento-materno-mostra-como-ensinar-a-pega-correta-para-o-nenem/


http://m.mdemulher.abril.com.br/saude/bebe/lei-que-garante-o-direito-a-amamentacao-em-publico-e-aprovada-em-sao-paulo