"É preciso amor pra poder pulsar".
Almir Sater

Projeto Bem Nascer

Por Júlia Ritez Martins                                                                                                  
                          "A Civilização começará no dia em que
                                       o bem estar
dos recém-nascidos
                                                    prevalecer sobre qualquer outra            
      consideração".

                                                                                                               Wilhelm Reich



O tema violência obstétrica tem se tornado cada vez mais conhecido e discutido. Quem nunca viveu ou ouviu a história de alguém muito próximo que passou por isso?




Histórias que deixam marcas no indivíduo e sociedade. E contribuem com disseminação de fantasias e medos que fazem com que as mulheres não acreditem em sua capacidade de parir.



A violência pode acontecer desde o pré-natal com o uso informações inadequadas, a desconsideração dos desejos da gestante, gestos e posicionamentos que vão minando a confiança da mulher em si mesma e tirando sua autonomia e capacidade de decidir livremente sobre seu corpo (defensoria.sp.gov.br).



E tudo isso culmina com a realização de procedimentos desnecessários durante o parto e que visam o bem estar do médico ao invés de incentivar o protagonismo da gestante e o cuidado com o bebê.



Como consequência, o Brasil encontra dificuldade para atingir a meta de redução do índice de mortalidade materna. Os números são alarmantes: 69 por 100 mil, mais elevados do que em países como Cazaquistão e Irã (www.ebc.com.br).



Tal índice é decorrente das altíssimas taxas de cesáreas, o excesso de intervenções desnecessárias, a falta de treinamento de equipes especializadas entre outros fatores (www.bbc.com).



É notório que quando há necessidade, a cesariana diminui os riscos de morte materna. No entanto, se realizada de forma indiscriminada, a cirurgia aumenta dez vezes os riscos para a mãe (http://www.cartacapital.com.br).



Além disso, as consequências para a saúde do bebê são todas negativas e bem documentadas.



Essa situação é tão preocupante que discussões sobre medidas legislativas e políticas públicas que protejam a mulher e o recém-nascido estão acontecendo em várias instâncias.



Além disso, a assistência ao parto vive um momento de mudança em todo o mundo, pois a taxa de cesárea tem aumentado de forma generalizada (PATAH, 2011).



Países da Europa com baixos índices de mortalidade materna, tais como Holanda e Grã-Bretanha, possuem um modelo menos intervencionista e atento as necessidades da mãe (PATAH, 2011).



E no Brasil, estudos e medidas similares estão começando a ganhar força. A possibilidade da mulher contar com o apoio de uma Doula, por exemplo, tem se tornado mais frequente e um direito garantido em diversas localidades.



A Doula não interfere nas decisões clínicas, mas sua presença e conhecimentos faz com que o índice de realização de cesárea e outros procedimentos desnecessários reduzam consideravelmente.



Uma das principais ferramentas da Doula é a informação. O desconhecimento do próprio corpo e seus processos contribui para a mulher deixar ser conduzida pelo suposto saber médico, perder sua autonomia acabar passando por situações de violência.



Aprender sobre a Medicina baseada em evidências, sobre as indicações absolutas para a cesárea, quais procedimentos além de desnecessários prejudicam o bebê, quais técnicas e posturas ajudam no trabalho de parto, etc são temas a serem discutidos durante o pré-natal.



E quanto mais essas informações propagarem, maior a chance desses índices alarmantes serem revertidos.



Para contribuir nesse sentido, o Projeto Bem Nascer foi criado. Para divulgação de informações, estudos, palestras, grupos, cursos que tenham o objetivo de mudar a forma de nascer e com isso começar uma transformação muito maior.


fontes:

http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2015/03/150306_mortalidade_materna_jc_ru

http://www.ebc.com.br/infantil/para-pais/2015/04/especialistas-criticam-alto-indice-de-mortalidade-materna-e-procedimentos


http://www.defensoria.sp.gov.br/dpesp/repositorio/41/Violencia%20Obstetrica.pdf

http://www.cartacapital.com.br/saude/parto-normal-7111.html


PATAH, Luciano Eduardo Maluf; MALIK, Ana Maria. Modelos de assistência ao parto e taxa de cesárea em diferentes países. Rev. Saúde Pública, São Paulo , v. 45, n. 1, p. 185-194, Feb. 2011 . Available from <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0034-89102011000100021&lng=en&nrm=iso>. access on 09 July 2015. http://dx.doi.org/10.1590/S0034-89102011000100021.