Meditação: conheça a técnica e seus benefícios

Por Júlia Ritez Martins   


A meditação é uma técnica que permite a atenção plena e comprovadamente melhora a saúde, diminui o estresse, ansiedade, insônia, depressão, colesterol, hipertensão arterial, promove longevidade, melhora função imunológica, etc.


Hoje muitos estudos estão sendo realizados para compreender como essa técnica atua no nosso cérebro. O pioneiro foi o Dr. Herbert Benson, do Mind/Body Institute da Harvard Medical School (EUA), e o outros como Sara Lazar, Neurocientista do Hospital Geral de Massachusetts e da Escola de Medicina de Harvard, vêm se surpreendendo com os resultados das pesquisas com essa técnica.


Sara afirma que a meditação pode, literalmente, mudar seu cérebro. Em suas primeiras pesquisas sobre o tema, ela comparou o cérebro de praticantes da meditação de longa data com o de pessoas que não praticavam a técnica.

Ela descobriu que aqueles que meditavam possuíam massa cinzenta aumentada na região da ínsula e regiões sensoriais do córtex auditivo e o sensorial. Além disso, os praticantes da meditação tem mais massa cinzenta no córtex frontal, que é associado à memória e a tomada de decisões, entre outras.


 É esperado que o cérebro se deteriore à medida que envelhecemos e, por exemplo, fica mais difícil se lembrar das coisas. No entanto, a região do córtex pré-frontal, responsável por essa habilidade, manteve-se preservada nos praticantes da meditação. Foi incrível a constatação de que aqueles que praticavam a meditação e tinham os seus 50 anos de idade obtiveram os mesmos resultados e a mesma quantidade de massa cinzenta do que pessoas de 25 anos!


O pesquisador Florian Kurth da Universidade da Califórnia também comparou a massa cinzenta do cérebro de pessoas que meditam há cerca de 20 anos, com pessoas que nunca meditaram e chegou a mesma conclusão.

Ele comenta: “Esse estudo abre novas portas para que, no futuro, as demências, doenças como o Alzheimer, por exemplo, possam ser tratadas de uma maneira mais simples e barata, com meditação”.


Agora, se você está pensando que pode ser tarde para começar a meditar fique tranquilo. Apesar de ainda não haver dados suficientes sobre quanto alguém precise praticar para obter mudanças cerebrais. Foram realizadas pesquisas com pessoas que começaram a praticar a meditação, em média 30 minutos por dia, e após oito semanas chegaram aos seguintes resultados:


Houve um aumento do volume da massa cinzenta no giro cingulado posterior, relacionado à auto-imagem, no hipocampo da esquerda, o qual dá suporte ao aprendizado, cognição, memória e regulação emocional. Na junção temporoparietal, associada a tomada de decisões, empatia e compaixão. Numa área do tronco do cérebro chamada de ponte, onde muitos neurotransmissores reguladores são produzidos.

Além disso, as amígdalas que tem relação direta com ansiedade, medo e estresse também se modificou. E a meditação se mostrou eficiente ainda para melhorar a habilidade de regular as emoções.


Com tantos benefícios comprovados, a técnica foi considerada uma poderosa prática terapêutica associada à medicina tradicional e já vem sendo adotada nos sistemas públicos de saúde. A Unifesp tem formado profissionais para se tornarem facilitadores de Meditação em Saúde pelo Núcleo de Medicina e Práticas Integrativas em Saúde. E também escolas em diversos Estados tem ensinado a Meditação.


Existem diversas técnicas de meditação, como a meditação ativa por exemplo, que consiste em realizar qualquer atividade com muita consciência e atenção, sem colocar expectativas sobre os resultados das ações.


Essa técnica de consciência plena pode ser ilustrada através de uma história que conta que em algum momento Buda teria sido questionado: “O que o senhor e os seus discípulos praticam?” Ele respondeu: “Nós nos sentamos, nós andamos, nós comemos.” O inquiridor continuou: “Mas, senhor, qualquer um se senta, anda e come.” Buda lhe disse: “Quando nos sentamos, sabemos que estamos sentados. Quando andamos, sabemos que estamos andando. Quando comemos, sabemos que estamos comendo.”


Pode parecer simples, mas na verdade na maior parte do tempo, estamos com os nossos pensamentos envolvidos ou com fatos do passado, ou com preocupações pelo futuro. E quando estamos conscientes, intensamente em contato com o momento atual, nossa postura, respiração, sensações corpóreas, tudo é modificado.


Outra forma muito eficiente de meditar e exercitar a atenção plena é concentrar toda a atenção em uma só coisa: a sua respiração. E conforme os pensamentos vão surgindo, lentamente, você vai limpando a mente, e voltando o foco para o ato de respirar e expirar. Veja o vídeo abaixo que apresenta algumas dicas ótimas sobre como realizar a meditação: um exercício simples, que pode mudar a sua vida, se for feito com regularidade.


Fontes:


http://www.washingtonpost.com/news/inspired-life/wp/2015/05/26/harvard-neuroscientist-meditation-not-only-reduces-stress-it-literally-changes-your-brain/


http://g1.globo.com/fantastico/noticia/2015/06/meditacao-ajuda-manter-o-cerebro-mais-jovem-diz-pesquisa.html


http://moradadoyoga.com.br/wp-content/uploads/2013/08/Dhyana_a-meditação-contemplativa.pdf


http://g1.globo.com/sc/santa-catarina/noticia/2015/07/criancas-praticam-meditacao-para-relaxar-em-escola-publica-de-sc.html


Meditação na saúde pública, na revista Psique: Ciência & vida, ano VIII, n 101, por Armando das Neves Neto